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Conselho Geral aprova contas

30/06/2026


A maioria dos conselheiros votou favoravelmente as contas relativas a 2025. Outorga de acordos coletivos também esteve em discussão

Pedro Gabriel

O Conselho Geral do Mais Sindicato realizou-se no dia 26 de maio, no auditório Delmiro Carreira, na sede da UGT, em Lisboa, tendo como principal ponto a apreciação e deliberação sobre o Relatório e as Contas do exercício de 2025.
Da Ordem de Trabalhos (OT) constavam ainda a apreciação, discussão e deliberação sobre alterações ao regulamento das Secções Sindicais e a apreciação e deliberação sobre a outorga dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT) da Rightsquare e Square Asset Management e do Grupo Fomento.

Atividade Sindical e USP
Como habitualmente, a apresentação do Relatório esteve a cargo de Ricardo Dias, que incidiu sobre a Atividade Sindical e a USP, e José Carlos Caiado, que abordou o SAMS.
Começando pela USP, Ricardo Dias reforçou o objetivo de resultado líquido nulo, destacando o controlo e a contenção de gastos, o foco na maximização da eficiência através da especialização e da otimização de recursos, o aproveitamento das economias de escala e a eliminação de desperdício nas atividades de suporte. No caso da Atividade Sindical, o técnico referiu que 2025 “foi um ano particularmente exigente e desafiante, marcado pela instabilidade internacional e pelas profundas transformações que continuam a ocorrer no setor bancário”.
Ricardo Dias explicou também a ideia de uma gestão racional e sustentável assente no rigoroso controlo de despesas e na otimização dos recursos disponíveis, a aposta contínua na utilização dos recursos humanos, técnicos e financeiros, promovendo a eficiência operacional, a eliminação de desperdícios e uma gestão mais sustentável e reforçou o compromisso de sustentabilidade do Mais Sindicato.

SAMS
Relativamente ao SAMS, José Carlos Caiado referiu a inversão da pirâmide etária do País, com uma população cada vez mais envelhecida que necessita de mais cuidados de saúde. Este facto, aliado a um contexto inflacionista devido a crises económicas e conflitos por todo o mundo, acabou por fazer subir os custos de produção.
Este é, em sua opinião, um dos desafios para os próximos anos, a que se juntam as alterações significativas nas tabelas de preço das seguradoras e de outros sistemas com os quais o SAMS trabalha enquanto prestador.
A inovação terapêutica, ao nível dos medicamentos e dispositivos médicos, mas também na medicina mais personalizada, vai fazer com que haja um aumento dos custos com os cuidados de saúde e um aumento da pressão sobre o SAMS enquanto financiador.
José Carlos Caiado referiu ainda que 2026 vai ficar marcado por três projetos fundamentais para o futuro do SAMS: a implementação de uma nova solução informática para a área clínica, a informatização de todo o processo logístico e o reforço dos mecanismos de auditoria e de implementação de manuais de procedimentos que, de alguma forma, possam ajudar a melhorar os mecanismos de controlo na instituição.

Futuro
Também António Fonseca falou sobre os resultados obtidos, tendo explicado que “dão esperança na continuidade e sustentabilidade do SAMS” e destacou o investimento feito em equipamento de última geração.
O presidente do MAIS falou ainda sobre a área sindical, criticando a ausência de compreensão por parte dos bancos enquanto os lucros continuam a subir e alertou para a redução do número de efetivos, em grande parte devido à introdução da Inteligência Artificial.
Tema inevitável na sessão foi a questão da tabela única, com António Fonseca a garantir que os três Sindicatos Bancários da UGT estão a investir muito no tema e que a caminhada, apesar de muito difícil, é para continuar. “Vamos fazer o nosso caminho, tentar ver até onde podemos ir, que argumentos temos. O tema dos reformados não está esquecido”, elucidou.
Ouvidos os conselheiros inscritos, procedeu-se à votação do relatório e contas, que mereceu o voto favorável de uma larga maioria, com apenas dois votos contra e três abstenções.

Designação
No Ponto 2 da Ordem de Trabalhos, relativo a alterações no regulamento das Secções Sindicais, António Fonseca explicou que a retificação é praticamente cirúrgica e está relacionada com três situações: as alterações de nome do Eurobic para Abanca e da Caixa de Crédito Agrícola para Grupo ICAM e também a fusão da Secção Regional de Castelo Branco com a Secção Regional da Covilhã. “Este é o regulamento que precisamos de aprovar para que o próximo processo eleitoral decorra com normalidade e dentro dos princípios”, explicou.
A alteração foi aprovada por larga maioria, com três abstenções.

Contratação coletiva
Coube a Cristina Damião falar sobre o Ponto 3, relativo à outorga dos ACT da Rightsquare e Square Asset Management e do Grupo Fomento. Falando sobre a Right Square, a responsável pelo Pelouro da Contratação referiu que a principal preocupação residia no facto de não haver publicação no Boletim de Trabalho e Emprego, elencando as principais alterações conseguidas à mesa das negociações: horário especial para os bancários com responsabilidades familiares,
uma cláusula relativa às faltas, nomeadamente dias de nojo em caso de falecimento, a cláusula de não absorção ou a cláusula relativa ao pagamento das pensões de sobrevivência nos Açores, Madeira e Continente, entre outras.
Este ponto foi votado favoravelmente por larga maioria, com duas abstenções.
No caso do Grupo Fomento, Cristina Damião explicou a dificuldade de todo o processo, que remonta a 2020 e envolve cinco entidades distintas “cada uma delas a atribuir benefícios diferentes para qualquer um dos trabalhadores existentes”.
Aqui destacou o horário de trabalho, que passa a ser de sete horas diárias e 35 semanais para todos os trabalhadores, as isenções do horário de trabalho que passam a ser remuneradas em 25% até cinco horas semanais a mais e em 50% até 10 horas.
Contratualizou-se também regras do teletrabalho, regimes de prevenção e subsídios de refeição, de nascimento e de estudo, entre outros.
Este ponto mereceu a unanimidade dos conselheiros presentes.


Emoção a abrir

No início do Conselho Geral, foi lido um voto de pesar sobre duas figuras históricas do Mais Sindicato, recentemente falecidas: João Toscano e Manuel Camacho.
Visivelmente emocionada, Amália Varela referiu-se ao primeiro como um “verdadeiro pilar da organização, um grande senhor, sempre disponível, atento e empenhado”.
Sobre Manuel Camacho, fez alusão aos anos dedicados à Secção Regional de Setúbal, “onde granjeou o respeito e a admiração de todos” e nos Corpos Gerentes do MAIS, onde exerceu “com elevado sentido de responsabilidade as funções de Presidente da MAG e membro da Direção”.
“Ambos deixam um legado de dedicação, integridade e empenho que jamais será esquecido. A sua memória permanecerá viva no Sindicato e em todos os que tiveram o privilégio de com eles trabalhar e aprender”, leu.
A leitura terminou com um minuto de silêncio em homenagem aos dois sindicalistas.


CFC dá parecer positivo

O Conselho Fiscalizador de Contas (CFC) deu parecer positivo às contas apresentadas, destacando as fontes de receita extraordinárias que contribuíram para o resultado obtido e também às responsabilidades devidamente acauteladas que permitem um investimento nas infraestruturas e no equipamento médico do SAMS.
Falando aos conselheiros, Fernando Martins alertou para a necessária cautela no futuro devido à situação política internacional e às perspetivas de provocar efeitos na economia.


Relatório e Contas de 2025
Saldos positivos na Atividade Sindical e no SAMS
Os resultados líquidos da Atividade Sindical e do SAMS, respetivamente 2,7 milhões de euros e 20,1 milhões de euros, são expressão de uma estratégia de gestão racional e equilibrada. Os saldos permitem não só a sustentabilidade do subsistema de saúde, mas também olhar o futuro da instituição com um otimismo moderado e assegurar o investimento e a inovação para manter a qualidade de sempre


Atividade Sindical
Dinamismo na revisão de convenções
O ano de 2025 ficou marcado por uma intensa atividade sindical, quer na atualização salarial quer na revisão de diversos clausulados. Na movimentação de sócios, refira-se o aumento de 5% nas admissões e readmissões, com destaque para o crescimento de 9% de sócios jovens, uma esperança de futuro para o MAIS. Já em termos financeiros, o saldo foi positivo em 2,7 milhões de euros, uma garantia de que é possível reforçar a ação sindical

Inês F. Neto

O setor bancário está a passar por profundas e rápidas transformações, quer por força do mercado quer pela crescente utilização da robotização e da inteligência artificial (IA) em muitos processos e funções anteriormente desempenhadas por trabalhadores. Estas questões colocam novos problemas aos bancários e aos sindicatos, obrigando-os a encontrar soluções inovadoras.
A contratação coletiva tem, pois, o duplo papel de responder à legítima exigência de aumento de rendimentos e de proteger os trabalhadores face aos novos desafios.
Nesse sentido, em 2025 registou-se por parte do MAIS um crescente dinamismo na revisão de todos os IRCT em vigor, garantindo-se a atualização de salários e pensões com aumentos no mínimo de 2,5% em todas as tabelas e cláusulas de expressão pecuniária – valor superior à inflação, que foi de 2,3%. Ponto alto da luta sindical foi a participação na greve geral de 11 de dezembro contra o pacote laboral, na qual o MAIS se empenhou ativamente. Para que os sócios não deixassem de defender os seus direitos por motivos económicos, o Sindicato decidiu acionar o seu fundo de greve.

Convenções
Mas não só: em diversos IRCT o Sindicato conseguiu alterações em algumas matérias de clausulado, tornando-os mais concernentes com a realidade. E “este é um propósito que continua nas negociações em curso”, lê-se no Relatório de Atividades.
Por outro lado, e em linha com o objetivo traçado anteriormente, “mantém-se a estratégia de negociar Acordos de Empresa (AE) com instituições ainda sem convenções celebradas com o MAIS”. Exemplo disso são os casos bem-sucedidos dos ACT da Rightsquare e Square Asset Management e do Grupo Fomento e da “manifestação de interesse por parte da NATIXIS e REVOLUT para iniciar os respetivos processos de negociação.”
Menos sucesso foi obtido relativamente ao Banco CTT, “que apesar de todos os esforços continua a resistir à abertura de negociações, não restando alternativa ao recurso à Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) para que o processo decorra no seu âmbito”, como frisa o documento. Destaque-se ainda o trabalho desenvolvido pelo Sindicato em diversos processos, como a venda de parte do negócio da Unicre ao NB, sem despedimentos de trabalhadores; o início da liquidação da Parvalorem, que deverá estar concluído em 2027; o processo de rescisões e pré-reformas no grupo EuroBic/Abanca, e o fim da devolução dos 125 euros aos reformados, no âmbito da meia-pensão, tendo sido o BCP a última instituição a regularizar a situação.


Pensões de reforma
Também as questões relativas ao cálculo dos valores da pensão de reforma continuaram a colocar-se cada vez com mais pertinência, em resultado da articulação entre o regime de reformas do ACT e o regime de reformas da Segurança Social, com o MAIS a criar um grupo de trabalho sobre a questão que, com recurso a especialistas, elaborou um estudo que permite avançar na luta pelos direitos dos reformados bancários. As primeiras ações realizaram-se já em 2026.

Mais sócios jovens
No final de 2025 o MAIS tinha 32.412 sócios, o que representa uma diminuição de 611 face a 2024 (-2%).
As duas principais razões para a redução de inscrições foram o falecimento (659, representando 44% do total) e o abandono do setor (233, ou seja,16%) representando, respetivamente, menos 1% e menos 15% em relação ao ano anterior.
Em sentido positivo, registem-se as 870 admissões e readmissões – um aumento de 41 (+5%) comparativamente a 2024 – e o crescimento, em 9%, do escalão de sócios com menos de 29 anos, continuando a tendência positiva observada em 2024.
Refira-se ainda que os sócios ativos representavam 34% do total, uma variação negativa de 2% face a 2024, enquanto os reformados mantiveram a tendência de crescimento, sendo 66% do total de sócios.
Em termos de género, a representatividade das mulheres na estrutura de sócios do Mais Sindicato era de 40% do total no final de 2025.

Saldo positivo
O Sindicato registou em 2025 um resultado positivo de 2,7 milhões de euros – mais 24% relativamente ao ano anterior –, graças a uma gestão rigorosa que permitiu uma diminuição dos gastos em 5% e um acréscimo dos rendimentos em 2%. Ou seja, o exercício de 2025 terminou com um total de gastos de 6.982. 314 euros, contra um total de rendimentos de 9.658.651 euros, sendo o resultado líquido de 2.676.206 euros.





SAMS
Sustentabilidade assegura inovação
O saldo muito positivo nas contas do SAMS – 20,1 milhões de euros – permite não só olhar o futuro do subsistema dos bancários com otimismo, mas também garantir um investimento contínuo em inovação tecnológica e continuar a proporcionar aos beneficiários o acesso a cuidados de saúde de qualidade. No entanto, o envelhecimento da população, a diminuição das contribuições e o aumento dos custos da saúde exigem uma gestão rigorosa

Inês F. Neto

O ano de 2025 foi marcado por um contexto desafiante para o setor da saúde em Portugal. A nível económico, mantiveram-se as pressões inflacionistas e um aumento generalizado dos custos operacionais, enquanto em termos sociais destacou-se o envelhecimento acentuado da população e, consequentemente, o crescimento da prevalência de doenças crónicas, colocando desafios estruturais ao nível da capacidade de resposta, da sustentabilidade financeira e da necessária modernização dos serviços – a que acresce a escassez de profissionais de saúde.
Como se lê no Relatório e Contas, “a estabilidade macroeconómica relativa, conjugada com transformações estruturais ao nível demográfico, tecnológico e institucional, exige das organizações do setor da saúde uma capacidade acrescida de adaptação, inovação e gestão eficiente dos recursos, de forma a garantir a sustentabilidade e a qualidade dos serviços prestados”.
O SAMS não é imune ao contexto nacional. E embora o resultado do exercício tenha sido francamente positivo – com um saldo de 20.119.477 euros – muitos dos desafios a ultrapassar foram os mesmos.

Enfrentar o envelhecimento
O SAMS enfrenta atualmente um conjunto de desafios estruturais, decorrentes da evolução do contexto económico e demográfico. “A diminuição do número de beneficiários ativos tem vindo a traduzir-se numa redução das contribuições, comprometendo a base de financiamento do sistema”, lê-se no documento, que acrescenta:
“Esta tendência é agravada pelo aumento do peso relativo dos beneficiários reformados, cuja capacidade contributiva é inferior.” Refira-se que cerca de 40% dos beneficiários do SAMS têm mais de 65 anos, o que se reflete “num aumento significativo da procura por cuidados de saúde e, consequentemente, num acréscimo da despesa, associado à maior incidência de doenças crónicas e à complexidade dos cuidados necessários”.
Nesse sentido, o subsistema tem adotado uma estratégia que passa, nomeadamente, pelo reforço do recurso a financiamento externo, de forma a rentabilizar a capacidade instalada e assegurar a sustentabilidade. 
Por outro lado, o SAMS procura captar novos beneficiários, reforçar a integração de cuidados, diminuir o peso dos prestadores externos e expandir as parcerias.

Inovação e estratégia
Numa aposta na sustentabilidade, a transformação digital assume um papel central na estratégia de desenvolvimento do SAMS. Ou seja, a adoção de sistemas integrados de informação, o desenvolvimento de soluções de telemedicina, a automatização de processos administrativos e a implementação de ferramentas de apoio à decisão clínica “permitirão não só otimizar a utilização de recursos, mas também melhorar significativamente a experiência dos beneficiários e reforçar a capacidade de resposta da organização”, salienta o Relatório.
A estratégia assenta ainda na internalização progressiva de cuidados atualmente prestados por entidades externas – que canalizam cerca de 40% das contribuições; – no desenvolvimento de áreas clínicas de excelência e diferenciação; na rentabilização da capacidade instalada e na atualização das tabelas de preços, em linha com a evolução do contexto económico.

Mulheres são maioria
No final de 2025, o SAMS tinha 84.915 beneficiários, dos quais 47.420 titulares e 37.495 familiares. A distribuição por género manteve-se estável, com 46% de homens e 54% de mulheres.
Em termos etários, prosseguiu o aumento do grupo etário mais avançado, o que acentuou ainda mais a tendência de envelhecimento da população beneficiária. O escalão dos que têm mais de 65 anos representava 43% do total, ou seja, 36.092 beneficiários.
Já em termos de atividade, registou-se um aumento dos Meios Complementares de Diagnóstico (+7.799), das intervenções (+1.035) e das diárias (+3.556).
Pelo contrário, diminuíram as consultas (-6.562), os tratamentos (-6.047), os exames de imagiologia (-2.680) e as próteses (-1.555).
De salientar que o Centro Clínico de Lisboa concentra o maior volume de consultas. Relativamente às restantes unidades prestadoras de cuidados de saúde, observou-se um aumento de 6% de consultas no Hospital, mas uma diminuição nas Clínicas SAMS (-6%), nas Clínicas das Secções Regionais (-7%) e no Lar de Idosos (-6%). Destaque-se ainda que o valor realizado em contribuições ascendeu a 95,7 milhões de euros, acompanhado por uma redução na atribuição de benefícios face a 2024. “Esta diferença permitiu assegurar a cobertura de investimentos realizados, bem como fazer face ao aumento dos custos de estrutura e ao impacto da inflação, contribuindo assim para a sustentabilidade financeira da atividade”, frisa o Relatório.

Resultado positivo
O SAMS registou em 2025 um resultado líquido positivo de 20,1 milhões de euros, contra os 4,5 milhões de euros de 2024.
Isso corresponde a uma diminuição no volume de gastos e a uma evolução bastante positiva dos rendimentos, na ordem dos 8%. Ou seja, o resultado corresponde a um aumento de cerca de 15,6 milhões de euros em relação ao ano anterior, em resultado do aumento dos rendimentos em 11,4 milhões de euros e da diminuição dos gastos em 4,2 milhões de euros.
Mas, mais importante do que o deve haver anual, estes valores significam encarar com um moderado otimismo o futuro e, com uma gestão rigorosa, assegurar a sustentabilidade do subsistema dos bancários.