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Editorial

A greve geral e os bancários

25/11/2025

​António Fonseca

Se os bancários ainda pensam que a reforma laboral do Governo não lhes diz respeito, leiam as declarações dos dirigentes dos maiores bancos a operar em Portugal – e desenganem-se.
Os presidentes executivos do BCP, BPI e BST e o vice-presidente da CGD foram absolutamente claros nas suas declarações durante a 8.ª conferência Banca do Futuro ao defenderem, unanimemente, mais flexibilidade laboral e, mais concretamente, maior flexibilidade nos despedimentos.
É importante que os bancários reflitam bem sobre o que está em causa.
A juntar às rescisões, e recentemente os despedimentos coletivos, a banca quer liberdade para o despedimento individual. É tenebroso.
Não necessitamos de muita imaginação para prever o que acontecerá se este anteprojeto se transformar em lei: os bancos poderão escolher um a um os trabalhadores de que querem ver-se livres. Respaldados pela legislação, para quê negociar rescisões com melhores condições se podem simplesmente despedir?
E mesmo que o despedimento seja considerado ilícito pelo tribunal, a reintegração do trabalhador não estará garantida, pois o anteprojeto de lei deixa ao empregador o direito de pagar uma indemnização para não voltar a vê-lo.
Mas os nossos banqueiros são magnânimos: os despedidos devem ter direito a apoio social. Ou seja, livram-se dos trabalhadores e dos encargos e a Segurança Social que os sustente.
Isto, mesmo que os bancários considerem de somenos o banco de horas individual num setor onde os horários já são uma miragem; que as limitações à contratação coletiva possam, em última instância, levar ao fim do SAMS numa qualquer caducidade; que os seus postos de trabalho desapareçam para serem substituídos por outsourcing, levando-os ao desemprego; ou que a conciliação entre a vida familiar e profissional passe a ser letra morta e os direitos de parentalidade tendam a sucumbir no mar das dificuldades impostas...
O Governo não quer recuar nas propostas mais gravosas para os trabalhadores, mas aceitou incluir no pacote laboral uma das bandeiras da CIP: a passagem de um trabalhador para uma categoria inferior, com redução do salário. O salário médio em Portugal já está entre os mais baixos da UE (e a habitação entre as mais caras), mas Governo e empresários querem baixá-lo ainda mais.
É isto que os bancários querem para a sua vida e para o seu futuro?
Nunca como agora os direitos dos trabalhadores estiveram tão em risco – e a resposta foi tão importante.
Participar na greve geral de 11 de dezembro é mais do que tomar posição. É mostrar o repúdio dos bancários pelo que querem fazer à sua vida, ao seu emprego, ao seu rendimento.
O Mais Sindicato apoia a greve geral, em defesa dos direitos dos bancários. Que os bancários defendam também os seus direitos.
Participar na greve geral é fundamental. Travar este atentado aos direitos mais básicos de quem trabalha está nas mãos de cada um e de todos.
Defenda os seus direitos. Adira à greve geral!