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A imaginação é o limite

27/02/2024


Os associados do MAIS têm nesta página oportunidade de publicar poemas, pequenos contos, desenhos e fotos da sua autoria. A seleção das obras enviadas rege-se por critérios editoriais.
Os textos para publicação não podem exceder os dois mil carateres

Um sonhador pateta

Não sou um poeta! Nem sequer um trovador!
Sou um tonto sonhador dono do branco luar,
que na Lua-cheia conseguiu esconder o amor,
para na terra estrumada e fértil o poder semear.

O meu coração é a bem trabalhada fresca terra,
Que o salgado suor rega e a charrua vai lavrar
Semearei nela grãos de trigo que o joio emperra
mas onde o viçoso amor irá crescer e bem medrar.

No mar infinito galgo as inconformadas ondas:
Quando estiverem mansas, iradas ou revoltosas.
Todas rebentam e se fazem … de moribundas!
Da roseira não fazem parte espinhos e rosas?

Perdido entre viçosos campos e dardejantes sóis,
na simplicidade humilde de terra destemperada.
Sei que não dormi na alvura de frescos lençóis,
mas no berço e embalado por gente dignificada.

Filho da profunda dor, da fome, da sorte funesta,
irmão da urze que dá vida à viva cor da montanha.
Se outra sorte não houvera melhor que sorte esta
Feliz pela ímpar identidade de nobreza tamanha.

Sou a felizarda sorte que sempre procurei ter,
Desviando da minha caminhada a rele desculpa
Sou gente vinda do nada que os sinais soube ler,
ver o que a vida tinha para dar e o trabalho inculca.

José S. M. Caria
Sócio nº. 17496
​Tenho as mãos geladas

Tenho as mãos geladas
e
já não as afago
no calor do teu corpo,
não porque te deixei de amar
ou
porque não quero mais senti-lo senti-lo
como dantes o sentia
a vibrar
a vibrar por mim
e eu por ti.

Tenho as mãos geladas
e
já não as afago
no calor do teu corpo.
O teu corpo
já não me aquece
nem vibra
como dantes
nos aquecíamos
e vibrávamos
em conjunto.

Não porque nos deixámos de amar
Não e não!
Ontem,
um rocket
caiu sobre a nossa casa
eu sobrevivi
e tu não!

J. Magalhães
Sócio n.º 17714

A noite

À noite há magia
À noite os sonhos
Pintam alegria
A noite pare o dia

À noite há um farol
A iluminar o mar
O marinheiro sonda o luar
Não vá o barco encalhar

Quer a lua namorar
O mar também a quer conquistar Ela não sabe quem escolher
A quem namoro aceitar

Os dois gostavam de a encantar
Vai continuar para todos sorrir
Sem ter de decidir
O sorriso não pode dividir

Com todos vai continuar a dormir
A todos inspirar
Sozinha se vai deitar
Sem ter com que se agasalhar

Tantos séculos magia a espalhar Tantos poetas a enganar
Dizendo que é sua musa
Muitos continuam a esperar

Que as metáforas rompam o ar
Que os seus versos façam o mundo parar
Que a paz possa chegar
Que o ar se possa respirar.

José Silva Costa
Sócio n.º 17296