Um sonhador pateta
Não sou um poeta! Nem sequer um trovador! Sou um tonto sonhador dono do branco luar, que na Lua-cheia conseguiu esconder o amor, para na terra estrumada e fértil o poder semear.
O meu coração é a bem trabalhada fresca terra, Que o salgado suor rega e a charrua vai lavrar Semearei nela grãos de trigo que o joio emperra mas onde o viçoso amor irá crescer e bem medrar.
No mar infinito galgo as inconformadas ondas: Quando estiverem mansas, iradas ou revoltosas. Todas rebentam e se fazem … de moribundas! Da roseira não fazem parte espinhos e rosas?
Perdido entre viçosos campos e dardejantes sóis, na simplicidade humilde de terra destemperada. Sei que não dormi na alvura de frescos lençóis, mas no berço e embalado por gente dignificada.
Filho da profunda dor, da fome, da sorte funesta, irmão da urze que dá vida à viva cor da montanha. Se outra sorte não houvera melhor que sorte esta Feliz pela ímpar identidade de nobreza tamanha.
Sou a felizarda sorte que sempre procurei ter, Desviando da minha caminhada a rele desculpa Sou gente vinda do nada que os sinais soube ler, ver o que a vida tinha para dar e o trabalho inculca.
José S. M. Caria
Sócio nº. 17496 |
Tenho as mãos geladas
Tenho as mãos geladas
e
já não as afago
no calor do teu corpo,
não porque te deixei de amar
ou
porque não quero mais senti-lo senti-lo
como dantes o sentia
a vibrar
a vibrar por mim
e eu por ti.
Tenho as mãos geladas
e
já não as afago
no calor do teu corpo.
O teu corpo
já não me aquece
nem vibra
como dantes
nos aquecíamos
e vibrávamos
em conjunto.
Não porque nos deixámos de amar
Não e não!
Ontem,
um rocket
caiu sobre a nossa casa
eu sobrevivi
e tu não!
J. Magalhães
Sócio n.º 17714
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A noite
À noite há magia À noite os sonhos Pintam alegria
A noite pare o dia
À noite há um farol A iluminar o mar
O marinheiro sonda o luar Não vá o barco encalhar
Quer a lua namorar
O mar também a quer conquistar Ela não sabe quem escolher
A quem namoro aceitar
Os dois gostavam de a encantar
Vai continuar para todos sorrir
Sem ter de decidir
O sorriso não pode dividir
Com todos vai continuar a dormir
A todos inspirar
Sozinha se vai deitar
Sem ter com que se agasalhar
Tantos séculos magia a espalhar Tantos poetas a enganar
Dizendo que é sua musa
Muitos continuam a esperar
Que as metáforas rompam o ar
Que os seus versos façam o mundo parar
Que a paz possa chegar
Que o ar se possa respirar.
José Silva Costa
Sócio n.º 17296 |