SharePoint
Editorial

Sim, é simples!

27/02/2024

António Fonseca

Sejamos claros: os bancários exigem melhores condições de trabalho e, consequentemente, de vida. Por isso concentraram-se, debaixo de chuva, simbolicamente frente à APB, pois é ali que decorrem as negociações entre os Sindicatos e os bancos.
Não são necessárias grandes análises para entender o básico: os salários e pensões dos bancários não chegam para fazer face às despesas. Há anos consecutivos que os aumentos ficam aquém da inflação, acumulando um défice no rendimento.
Não é por isso, também, que protestam os médicos, os enfermeiros, os professores ou os polícias?
No entanto, há uma grande diferença entre todos esses profissionais e os bancários: ao contrário deles, nós trabalhamos num dos setores mais rentáveis do país. Um setor que trimestre após trimestre, semestre após semestre, ano após ano soma lucros excecionais. E enquanto o SNS, por exemplo, quer contratar médicos e não consegue, os bancos despedem trabalhadores. Simples assim.

Em Portugal dificilmente se pode encontrar um setor mais rentável do que o bancário – e mais explorador.
Apesar dos fabulosos lucros, o miserabilismo impera nas suas fileiras de topo:
- Não há qualquer retorno à sociedade nem responsabilidade social;
- Não há repartição de riqueza com os trabalhadores e reformados;
- Não há cumprimento de horário e pagamento do trabalho suplementar;
- Não há ajustamento nas carreiras profissionais, cuja base é o salário mínimo!;
- Não há segurança no trabalho, face à contínua redução de trabalhadores;
- Não há respeito pela saúde dos trabalhadores, sujeitos a ritmos e pressões inimagináveis;
- Não há segurança na reforma, pois no final da vida ativa as remunerações variáveis acabam e as pensões são reduzidas...
Razões mais do que suficientes para manter trabalhadores e reformados à chuva em protesto. É simples.

O que diriam os banqueiros se, quando saem dos seus luxuosos gabinetes para participarem em debates, onde com o seu habitual maneirismo de superioridade dão conselhos aos governantes e à sociedade em geral, fossem rodeados por bancários em protesto como fazem outros trabalhadores com os políticos? Ou se acampassem às portas das sedes dos bancos, como fazem os polícias na Assembleia?
Só ainda fizemos uma concentração à porta da APB...
Simples?